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Tabagismo

 

O tabagismo é classificado como uma doença do grupo dos transtornos mentais e comportamentais em decorrência do uso de substância psicoativa1, no caso a nicotina2, que causa dependência e é extraída da planta Nicotiana tabacum, conhecida como tabaco. O consumo mais comum se dá por meio do cigarro, mas pode acontecer também pelo uso de cachimbo, charuto, rapé ou tabaco de mascar.3 Apesar de ser a principal causa de morte evitável no mundo, um terço da população ainda é fumante, ou seja, 1,2 bilhão de pessoas. Pesquisas comprovam que aproximadamente 47% de toda a população masculina mundial e 12% da feminina fumam.4

Substâncias nocivas

A fumaça produzida pelo consumo do tabaco contém mais de 4.700 substâncias tóxicas, entre elas a nicotina, o monóxido de carbono e o alcatrão. A nicotina age diretamente no sistema nervoso central como a cocaína e chega ao cérebro em nove segundos. O monóxido de carbono (CO), extremamente tóxico, é o mesmo gás que sai dos escapamentos de automóveis. Liga-se facilmente aos glóbulos vermelhos, responsáveis pelo transporte de oxigênio, dificultando a oxigenação do sangue. Já o alcatrão é constituído por diversas substâncias que causam o câncer, como arsênio, acetona, resíduos de agrotóxicos, naftalina, substâncias radioativas e até fósforo P4/P6, usado na fabricação de veneno para ratos.

Enfermidades

O tabagismo está relacionado a cerca de 50 doenças diferentes, provocadas pelas substâncias presentes na fumaça do tabaco. A nicotina, por exemplo, aumenta a liberação de substâncias que causam vasoconstrição e, consequentemente, causa hipertensão arterial. No aparelho digestivo, ela estimula a produção de ácido clorídrico, o que pode causar úlceras. No pulmão, colabora para o desenvolvimento de enfisema pulmonar e bronquite crônica, doenças que fazem parte de um grupo de enfermidades que compõe o quadro conhecido como DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica). O monóxido de carbono, interferindo no transporte de oxigênio, dificulta a chegada do gás até os órgãos, além de provocar doenças cardiovasculares como a aterosclerose.

Os fumantes têm risco de 20 a 30 vezes maior de desenvolver câncer de pulmão. O organismo do tabagista é exposto a uma série de outros distúrbios e doenças, entre eles em catarata, aneurismas, osteoporose, trombose, menopausa precoce, impotência sexual no homem, infertilidade na mulher e complicações na gravidez.

Fumantes passivos

Não são apenas os fumantes que sofrem as consequências do consumo do tabaco. Quem inala a fumaça produzida por fumantes em ambientes fechados, mesmo sendo um não-fumante, é chamado de tabagista passivo. Estima-se que seja a terceira maior causa de morte evitável no mundo, ficando atrás apenas do tabagismo e do consumo excessivo de álcool.

É chamada de poluição tabagística ambiental (PTA) a fumaça produzida pelos fumantes em ambientes fechados, seja a exalada pelo indivíduo (corrente primária), seja a que sai da ponta do cigarro (corrente secundária). O ar poluído com a fumaça do cigarro é composto principalmente pelo segundo tipo, tem em média três vezes mais nicotina e monóxido de carbono, e até cinquenta vezes mais substâncias que causam câncer do que a fumaça inalada pelo fumante. Isso porque a corrente secundária não é filtrada e devido à combustão incompleta causada pela queima a baixa temperatura.

Assim, adultos tabagistas passivos têm risco 30% maior de desenvolver câncer de pulmão e 24% maior de sofrer um infarto do coração em relação a não-fumantes que não se expõem à fumaça. As crianças ficam mais suscetíveis a infecções de ouvido, resfriados e doenças respiratórias como bronquites, pneumonias e asma.

Há também efeitos mais imediatos, como tosse, irritação nos olhos, alergias, cefaleias e aumento da pressão arterial. De acordo com a OIT (Organização Internacional do Trabalho), funcionários de restaurantes, bares e outros ambientes fechados constituem um grupo especialmente suscetível aos males do tabagismo passivo, pois ficam de 300% a 600% mais expostos à fumaça do tabaco do que outras categorias de profissionais.

Como parar?

Parar de fumar sozinho não é fácil. Segundo o INCA, 80% dos fumantes desejam parar, mas somente 3% tem êxito sem ajuda e precisam de tratamento específico. Para saber qual a melhor forma de largar o cigarro em cada caso, é fundamental consultar um médico.

Em linhas gerais, existem dois métodos para parar de fumar: de forma imediata ou gradativa. Especialistas recomendam a primeira opção, pela qual o fumante marca uma data e, a partir daí, não fuma mais. Pela opção gradativa, o fumante reduz o número de cigarros por dia ou atrasa o consumo do primeiro cigarro do dia cada vez mais. Nesse processo, entretanto, não se deve gastar mais de duas semanas, sob risco de apenas adiar a parada definitiva.

Há também modelos de tratamento baseados em terapias individuais ou em grupo com o objetivo de orientar o fumante de forma que ele desenvolva habilidades para conseguir ficar sem fumar. Caso seja necessário recorrer a um tratamento medicamentoso, é possível recorrer ao SUS (Sistema Único de Saúde).

Benefícios de parar

Os benefícios de parar variam de pessoa para pessoa, mas em geral quase imediatamente após parar de fumar o tabagista já experimenta várias melhoras na saúde, tais como:

  • Após 20 minutos: a pulsação e pressão sanguínea voltam ao normal;
  • Após oito horas: o nível de oxigênio volta ao normal e as quantidades de nicotina e de monóxido de carbono no sangue caem pela metade;
  • Após 48 horas: olfato e paladar ficam sensivelmente melhores;
  • Após duas a 12 semanas: a circulação melhora, tornando atividades como andar e correr muito mais fáceis;
  • Após cinco a 15 anos: os riscos de enfartar e de sofrer um derrame passam a ser praticamente os mesmos de quem nunca fumou.
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